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Duplicata escritural entra em produção assistida: O que muda no crédito para empresas?

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Por Alexandre, CEO da Arkad.

Em 15 de julho de 2026, o Banco Central autorizou o início da produção assistida da duplicata escritural. Parece só mais uma sigla técnica, mas é a reorganização de uma das peças mais usadas no financiamento das empresas.

O que é uma duplicata escritural?

Quando uma empresa vende a prazo, nasce um recebível: o direito de receber aquele valor lá na frente. A duplicata é o documento que representa essa venda.

Nela aparecem dois personagens. O sacador é quem emite e tem o valor a receber, normalmente o fornecedor. O sacado é quem deve pagar, ou seja, o cliente que comprou a prazo.

De papel para escritural:

Até agora, a duplicata circulava em papel ou em versões digitais que cada instituição controlava do seu jeito. Isso abria espaço para um problema conhecido: a mesma duplicata antecipada em mais de um lugar ao mesmo tempo.

A duplicata escritural é a versão totalmente eletrônica desse título. Ela passa a ser registrada em plataformas autorizadas pelo Banco Central, as registradoras, que guardam todo o ciclo do título, da emissão ao pagamento.

O Banco Central autorizou sete registradoras: CERC, Núclea, B3, TAG, CRDC, Grafeno e Quicksoft.

O que é a produção assistida?

É a fase de testes que estamos vivendo agora. As instituições registram e movimentam duplicatas escriturais de verdade, com volume gradual, em ambiente acompanhado de perto pelo regulador.

Serve para validar sistemas, prazos e integrações antes da adoção obrigatória. Essa etapa pode durar até 180 dias.

O calendário da obrigatoriedade:

Depois dos testes vem a adoção obrigatória, escalonada por porte de empresa. A expectativa é começar pelas grandes, seguidas pelas médias e, por último, as pequenas ao longo de 2027.

As datas finais dependem de regras que o Banco Central ainda vai publicar, então valem como direção, não como calendário fechado.

Por que isso importa para o crédito?

Com registro único e rastreável, o mercado ganha algo que sempre faltou: certeza sobre a titularidade do recebível. Fica claro quem é o dono do direito de receber e se aquele título já foi negociado antes.

O impacto na antecipação de recebíveis:

Antecipar recebíveis é transformar em dinheiro hoje um valor que a empresa só receberia daqui a semanas ou meses. É uma das formas mais usadas de capital de giro no país, e o terreno onde operam os FIDCs, os fundos que compram esses direitos creditórios.

Para o fundo que compra o recebível, o registro único reduz o risco de estar comprando um título já cedido a outro. Menos risco de fraude significa mais segurança na operação, o que tende a abrir espaço para condições melhores para quem toma o crédito.

O descompasso do mercado:

As instituições financeiras já estão bem preparadas, segundo levantamentos das próprias registradoras. Do lado das empresas que emitem e pagam duplicatas, a maioria ainda não se organizou.

Esse intervalo entre a regra e a adaptação costuma ser onde a diferença aparece. Quem entende o cronograma e ajusta processos cedo entra na obrigatoriedade com tranquilidade. Quem deixa para a última hora tende a enfrentar atrito e custo maior bem na hora de buscar crédito.

Como a Arkad lê esse movimento?

Acompanhar mudanças como essa é parte da nossa rotina, porque elas afetam as teses de crédito que estruturamos, em especial a antecipação de recebíveis. Nosso papel é traduzir o que uma mudança regulatória significa na prática para cada cliente.

A duplicata escritural caminha para tornar o crédito mais transparente e seguro. É uma boa notícia para o mercado e um convite para se preparar com antecedência.

Quer entender como ela afeta a operação da sua empresa ou da sua gestora?

Vamos conversar sobre o seu caso e desenha o caminho que faz sentido para você!
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